O cinema de Jim Jarmusch não é exatamente estimado por multidões, ele é muito 'underground' para as massas e aí mesmo tempo esnobado por cinéfilos que o consideram presunçoso demais. Entretanto essa é uma questão que não tenho interesse em me aprofundar, o meu propósito aqui é falar sobre o magnético 'Coffee and Cigarettes' ou 'Sobre Café e Cigarros' aqui no Brasil.
Trata-se de um conjunto de 11 curtas que retratam conversas circunstanciais, dessas que ocorrem enquanto pessoas reservam um momento do dia para tomar um café e fumar um cigarro. O filme é todo em preto e branco o que deu um ar de nouvelle vague para o cotidiano estadunidense ou talvez tenha sido a maneira que Jarmusch encontrou de melhorar a fotografia já que os curtas se passam em um único ambiente.
Apesar de ter sido lançado em 2003, o cineasta vinha gravando os curtas desde 1986, quando registrou o segmento com Roberto Benigni muito antes deste sequer sonhar em ganhar um Oscar. O diretor garante que a despeito da atmosfera descontraída todos os curtas seguiram um roteiro escrito pelo próprio mas como expectadora é difícil se convencer de que não houve pequenas improvisações como na sequência de Bill Murray em que o ator parece dominar a câmera com os seus trejeitos clássicos e falas abruptas.
Dentre os vários diálogos o que ocorrem entre Iggy Pop, Tom Waits, Wu-Tang Clan, Steve Buscemi e Cate Blanchet, entre outros nomes não menos importantes, a sequência 'Primos' com Alfred Molina e Steve Coogan é de longe o meu favorito.' Primos' basicamente retrata um Alfred Molina extremamente gentil e interessado no fato de que ambos sejam parentes distantes enquanto Coogan é o perfeito astro de cinema prepotente e nojento que mostra total desapreço pelo primo recém descoberto, pode parecer triste à princípio mas o desenrolar é a prova de que o mundo ele não gira, ele capota.
Apesar da qualidade inconstante das sequências (a da banda White Stripes em especial é extremamente fraca) no geral Jarmusch conseguiu fazer com que de uma forma simples e cativante fiquemos conectados com os personagens, seja pela nossa natureza voyeur, pela identificação, pela banalidade ou simplesmente porque às vezes tudo o que a gente precisa é de uma xícara de café e uma boa conversa.




Comentários
Postar um comentário